sexta-feira, junho 08, 2007

Adeus Marta.




Já não escrevia neste espaço há muito tempo, tempo demais, num tempo em que a Marta estava connosco neste vida malvada. Foi o tal tempo em que todos os segundos contavam para a abertura dum concerto, foi um tempo que passou e que certamente vai ser difícil retomar com tantas lágrimas ainda a correr. A Marta era um membro dos Xutos, dum rapazes que ainda miúdos se fizeram á estrada da vida e da permanente revolta contra a estúpida sociedade, A marta acompanhava-os desde então, foi ela que em 1990 depois dum silencio perturbador se fez á vida e revolveu com a ajuda do mano Kalú tentar levantar de novo a bandeira dos Xutos.
A Marta partiu ontem e sozinha para a sua última digressão, é a ela que os Xutos e nós confessos fãs da Banda devemos muito. Mulher com M muito grande.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Puro Receio.




Voltei agora do Planeta Medo, o pesadelo e o receio parece agora ter chegado ao fim, a experiência vivida não é muito saudável, nem aconselhável a pessoas que tenham uma fraca personalidade. Demorei a entender que uma doença nos pode afastar dos nossos sonhos e que uma visita ao medo pode ser sempre um bom prenúncio de vida.
Receei por mim, afinal do sonho á realidade pode muito bem ser um simples passo, quando dado em falso pode significar uma ligeira morte quase súbita.
Logo fiz um papel de vítima, não fingi nada, era apenas o outro eu, o desconhecido eu…Aquele que se lamenta por tudo e por nada. Aquele que não sabe viver com dificuldades, Aquele que se esconde no positivo Carlos.
Mas ao mesmo tempo que a poderosa vitimização tomava conta de mim, reparei que alguém estava em condições piores que eu, afinal alguém sofrera mais que eu.
Era Hugo, de sorriso já perdido, de calças sujas de tanta humilhação e preconceito.
Encostado aos azulejos do metro de Lisboa, vai construído amizades e recebendo pequenas percentagens de carinho.
Hugo sente que as pessoas lhe passam ao lado como o tempo passa por ele. Hugo sabe que o apoio e o poder do “nosso” deus já não o pode confortar nunca mais. Finge-se forte para pode ultrapassar tamanha desilusão física. Mesmo quando estamos mal psicologicamente ou fisicamente podemos sempre nos refugiar nos outros, naqueles que por dada altura ainda estão piores que nós. Se vocês soubessem como o Hugo me aperta a mão quando lhe passo uma mísera moeda para a sua lata, parece que para ele não é importante a tal moeda, para ele o mais importante é sentir…Sentir a mão de alguém, sentir que o meu apoio esta sempre presente é a melhor prenda que ele pode receber. Afinal hoje recebi os exames que me podem deixar novamente num sossego aqui no meu pequeno cantinho, eu e o Hugo agradecemos que a doença nos deixe em Paz.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Primeiro Beijo.



Percebo entre encontrões que a vida é feita de emergências súbitas, muitas deles sem qualquer explicação aparente. A pressa é inimiga do bem-estar, da calma, e do sossego.
É significativo chegar a casa 5 minutos mais tarde? É talvez menos uma peça de roupa para passar, ou uma mesa para limpar. Escravos dum stress quase traumático, vivemos quase obcecados pela perfeição. As sombras não param para pensar, essa paragem pode ser traumatizante quando optamos por o pior caminho, quase sempre o caminho mais fácil. Foi numa dessas viagens aos sentimentos que me lembrei de quer voltar a querer ser feliz. No passado fui quase vulgarizado por um papel poético, romântico de difícil escrita quando se tem somente 10 anos de idade, jurei que sempre guardaria esse pequeno pedaço de papel juntamente com a minha tralha.
Á pouco tempo quando voltei a ler sebentas de escola, cadernos riscados, autocolantes colados e dei de caras com esse papelinho quase inocente enviado por uma menina de 8 aninhos com um saiote colorido, com umas tranças amarradas, e com um doce sorriso de pirraça juvenil. Foi um daqueles imensos sorrisos que um dia me cativou, foi flor que nasceu no meu jardim (soa a minha pimba, mas é verdade), do primeiro piscar de olhos ao primeiro beijo foi quase uma eternidade.
Fiquei tímido o bastante para dizer que não gostava dela, e que aquele jogo do Bate-pé tinha pouco significado para mim naquela altura. Com o seu ar de extrovertida aquela miúda foi a primeira paixão da minha vida, talvez nessa altura da vida as paixões e os amores sejam mais inocentes e por sua vez mais fortes.
Curiosamente nas fotos de turma ficávamos sempre separados fisicamente, eu sabia que não me podia chegar perto dela porque a isso a minha estúpida timidez me obrigara. Eu sabia que um dia ao ler aquele bilhete, ele me ia proporcionar momentos de nostalgia sentimental como este que vivi agora.

To S.R.F.S

PS.A Banda Sonora só podia ser a dos Europe - Carrie.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Passeio na Solidão




Senti-me hoje diferente perante o rugido feroz daquele animal, tinha-me tornado um ser horrível, já presto vassalagem ao meu patrão, já acordo sem a minha mulher ao meu lado, já descobri que afinal o racismo é uma palavra aceitável na minha vida.
Nada, nem ninguém me fizera abrir os olhos no momento certo, devo a todos vocês este momento que por agora vivo, nasci bom moço, de raízes humildes, de sorriso brilhante no rosto, depois tornei-me um egoísta frio e fingido.
Agora passo a maior parte do meu tempo a volta dum bar de Lisboa recheado de prostitutas e proxenetas moribundos, vulgos marginais de nossa brilhante sociedade.
A Cerveja passe-me finalmente pela goela, é fria e sabe a teimosia infinita, a mesma teimosia que me atirou para uma solidão ainda maior que a Morte. Nunca receei perder a mulher da minha vida, agora receio que ela se perca no outro mundo dos amores, o mundo dos amores fiéis e espiritualmente ligados. Sempre permaneci indiferente aos frequentes apelos dela. Á famosa frase “ Outra vez Tarde?” respondia com um suave “Deixa-me em Paz” ou então um popular “ Não me chateies”. Até essa altura ela aturava-me de corpo inteiro, fingindo-se duma Madre Teresa.
Entrei em contacto pessoal (Fascinado por umas meias de liga visíveis) com uma atraente executiva de uma companhia de viagens, sentindo-me de novo numa puberdade sempre possível de recuperar. Fascinado com a aventura nos primeiros tempos senti-me regozijando de novo uma doce juventude. A aventura custou-me umas malas feitas de lágrimas e terríveis arrependimentos, Finalmente senti que uma porta se fechara para sempre, a porta da felicidade eterna estava inevitavelmente fechada.
Vou agora de novo vagueando pelas ruas mórbidas de Lisboa, fechado em mim mesmo não consigo ainda suportar o terror duma solidão á muito anunciada.
Pensei que o suicídio fosse para mentes mais fracas, chamei nomes impróprios á morte, mas ao mesmo tempo senti nela um escape para tudo isto. Depois de não sentir mais nenhum dado motivador da própria vida, resolvi experimentar o novo mundo.

terça-feira, setembro 26, 2006

Protegendo o Amor




É fácil não ter ninguém com quem falar, basta querermos um cantinho para ficarmos sozinhos.
Gosto de ser egoísta no meu cantinho, aquele cantinho que temos lá em casa e que nos faz passarmo-nos para o lado de lá. Lá onde podemos de novo ser felizes, continuo a pensar que ás vezes é o melhor caminho para uma felicidade eterna (se é que isso existe).
Neste mundo de Egoísmo não consigo arranjar espaço para nós os dois meu amor, queria também que te protegesses deles, tapa-te com aquela manta que te comprei no dia dos nosso aniversario pois eles não te conseguem apanhar se estiveres protegida pela manta do meu amor. Que a tua maior protecção seja o teu coração, e que nele continues a cultivar o carinho por aqueles que amas e que sentem esse sentimento forte.
Deixa para mim o trabalho mental de combate-los com as armas que tenho, a escrita é uma delas, é talvez a única maneira encoberta de os mandar “foder”.
Aqui na terra meu amor, fala-se de um lugar onde não existe inveja nem tristeza, chama-se terra dos sonhos e é cantada pelo Jorge Palma em dias de solidão permanente. Parece que essa terra cantada é difícil de encontrar e só se torna visível quando partimos no autocarro da felicidade acima da paragem da alegria. Penso que nos podemos unir “minha gente” contra este nosso mundo, podemos partilhar segredos e inconfidências sem que não nos arrependamos mais tarde de tamanha ousadia.
Ouço-te partilhar um segredo com um vizinho nosso, dizes tu que eu sou um sonhador e que sonho com o utópico diariamente, A força que me faz sobreviver é essa mesmo, é ter ainda tempo e coragem para poder ter sonhos. A ilusão com que escrevo é a mesma que me faz ainda sonhar, meus olhos ainda conseguem visualizar uma saída para esta hipocrisia. Mas temos de ser rápidos pois os vampiros engravatados estão prestes a descobrir o caminho do amor…É esse o único sentimento em que nós ainda seres humanos amorosos somos diferentes deles.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Desilusão Religiosa

Aviso importante: Todos os textos aqui escritos foram da autoria de Carlos Martins qualquer cópia directa ou indirecta é favor comunicar ao Autor.Obrigado.






Desejei conhecer Deus, essa criatura tão poderosa em nossos dias. Pedir-lhe uma explicação daquilo que passa impune no nosso Mundo. Ele então chegou sem avisar, vinha de longe…tão longe que os pés estavam manchados de sangue pisado. Senti-o mais perto de mim quando a luminosidade que trazia sob ele se transformou em Sol madrugador de Inverno. Não era o deus tradicional de cabelo comprido e capa branca, trazia meio peito tatuado de feridas, fingia-se cego e travesso acolhedor das nossas gentes.
Lamentava-se que não podia agir em conformidade com as regras saudáveis da convivência, sentia-se incapaz de lutar em tantas frentes de guerra e contra tanta miséria.
Pediu me compressão e compaixão nas palavras que por vezes liberto para os céus em jeito de revolta contra o mundo do egoísmo e arrogância. Nunca tive tempo para o perdão e para a desculpa, senti-me perdido num mar de lamentações constantes a que somos sujeitos por fanáticos cristãos, vulgos escravos duma religião podre de tanto palrar. Virei-lhe as costas para me proteger das suas palavras ilusórias, a ilusão faz parte da demência da pessoa que esconde factos, assim que se aproximou de mim senti um cheiro tremendo a mentira e a deslealdade. Quem julga partilhar toda a sabedoria é ele, é a ele que lhe apregoam as beatas famintas de pregoes e de maldade, é a ele que se perdoa tudo mesmo que para isso se martiriza mais almas inocentes. Não aceito que se maltratem crianças e animais para que tenhamos mais um bocado de terra para cultivar armas de guerra, se ele não pode fazer nada para que serve então…?
Serve para o acolhermos em nossa casa quando alguém desfalece…
Serve como objecto decorativo duma simples parede…
Serve para o pendurarmos ao pescoço para nos dar um sorte que nunca chega…
Julgo saber que uma tal de madalena teve um caso amoroso com ele, logo desmentido pela própria religião mais podre, se ele não é humano então como pode ele amar alguém…realmente pensando bem esse senhor não é capaz de amar, porque se fosse capaz mesmo de amar não nos deixava montar a nossa “guerrilha” de interesses diários. O amor vem da própria alma, é ingénuo e parece tímido quando alguém lhe pergunta “porque chegaste?”…

quinta-feira, julho 13, 2006

Burguesia mata a vida?




Que vida de luxúria, sentimentos apagam-se literalmente quando a palavra dinheiro sobe a cabeça. Pego numa taça de champanhe e tento nunca passar despercebido em qualquer festa social.
O caviar esse deixo-o de parte, sinto-me um pequeno deus longe de seu rebanho, a insanidade parece sempre querer voltar quando suspiro pelo papel miserável, a burguesia sempre foi a minha disciplina favorita e a minha primeira opção de vida impingida pelos meus pais. A minha vida pessoal e privada é sempre forçada pelos meus pais que me vigiam do 1º andar da moradia quando chego a casa a altas horas da noite.
Marques o meu condutor pessoal costuma dizer que nem os abutres pernoitam daquela maneira a espera da sua presa, pessoalmente chego a sentir o ar abafado da sua respiração logo que dou entrada no pátio. Sou um apaixonado pela vida e pelo mar, anseio sempre me perder nas ondas escuras das noites de verão. Anseio ao mesmo tempo pela minha liberdade, até meu coração está preso a uma mulher que não amo.
Procuro sempre refúgios ou alterações hormonais em meu corpo para compensar a pouca actividade que tenho na minha vida sexual.
Tenho uma forte convicção que um dia poderei chegar apaixonado a casa de novo, pois estou perdido de amores por uma filha duma empregada lá de casa,
Combinamos sempre encontrarmo-nos depois de ela acabar a sua faxina diária.
É na escuridão que fazemos amor, que trocamos carícias, que nos beijamos ardentemente. Talvez por ser filho da luxúria e do dinheiro tenha por habito preservar o direito ao amor e ao afecto, gostava um dia de passar fome, não ter pão para comer para sentir o verdadeiro aroma do sofrimento.
Subo a pique na minha ainda curta carreira, tenho sempre um empurrão garantido pelo meu tenebroso e poderoso pai que me chama já um futuro mega consultor.
No futuro aonde ele me vê, não há espaço para mendicidade ou para a pobreza extrema, só existe realeza e burguesia, se fosse por ele mandava desocupar as ruas, e punha mendigos e deficientes em lares escondidos da nossa sociedade.
O respeito que ainda tenho por ele, deve-se ao facto de ele ter construído o seu império com suas próprias mãos, apesar de muitas vezes sujas com a palavra corrupção.
Não quero que me ofereçam dinheiro, carros caros ou luxuosas vivendas, quero me sentir responsável pelos meus actos, quero poder dizer ao mundo que vivo a vida que escolhi, nunca suportarei a palavra “menino do papá” e refugio-me na violência quando me chamam isso. Poderei ser consciente dos meus próprios actos um dia?

quarta-feira, junho 28, 2006

Momentos Íntimos




“Mais vale tarde do que nunca!” Expressou-se alegremente o convicto e ainda moço ardina. Tinha-lhe prometido que lhe comprava o jornal hoje, aquela ultima página de classificado de ontem deixou-me intrigado.
Aquela mulher atraente parecia mesmo a Raquel, vizinha da minha mocidade, companheira de longos primeiros beijos juvenis, Deusa com um pião nas mãos. Agora ao que parece tem Homens poderosos a babarem-se para ela, babarem-se é o termo mais limpo em que pensei.
O Charme e a beleza ao que parece ainda continuam presentes, a avaliar pela foto apresentada só a cor do cheiroso cabelo mudou, aquele louro natural tinha-se evaporado, agora o castanho claro tornou-se assumidamente mais apelativo ao calor humano.
Prometi coragem a mim mesmo para lhe telefonar naquele mesmo dia, as vezes temos receio de ser mal interpretados quando telefonamos a pessoas que poucas vezes estão presentes nas nossas vidas pessoais. Mas a Raquel é uma pessoa completamente diferente das outras, nela parece que o sol brilha até mais tarde, parece sempre que o dia se transforma em noite.
Quereria o destino que nos voltássemos a cruzar? Assumi para conter- me que nada me passaria pela cabeça sem ser uma doce conversa entre duas pessoas com objectivos pessoais completamente diferentes.
Na Foto dos classificados ela estava como sempre apetecível, como que a pedir inocência e travessura nos actos sexuais que em cada noite pratica com os seus clientes.
Demorei a pegar no telefone, era envergonhado como antigamente, O Melhor da história é que ela sabia isso e fez-me aguentar 5 minutos de perguntas difíceis daquelas ousadas mesmo. Depois de me massacrar com questões relativos ao maior dom dela (o Sexo), passamos para momentos só nossos, momentos em que vivemos uma linda infância, curioso o facto de ela se lembrar de mais momentos marcantes do que eu próprio.
Antes de se tornar uma preciosa acompanhante, Raquel foi uma menina daquelas endiabradas e fugitivas, fugia dum terrorista chamado dentista e arredondava a saia para os meninos mais envergonhados.
Foi útil a nossa conversa, servir para limar algumas arestas sentimentais, afinal ela tinha-me mantido em seu coração este tempo todo, ainda sonhava comigo quando se deitava naquela cama vazia de tanto carinho e compreensão.
Aqueles dez minutos passaram a correr, foram minutos feitos de saudades e de emoções que nunca me esquecerei…